
Existem dois postes de luz na calçada da casa dos meus pais. Eu gosto destas luzes. Elas fazem com que eu consiga ver a chuva quando ela está caindo.
Tem uma árvore capenga no terreno, próximo a um dos postes. Estou observando há alguns minutos a água escorrendo suavemente pelo tronco e deslizando sobre as folhas. Gotas de água caem temporalmente sobre o jardim recém plantado pelo meu pai.
O som da chuva... e o cheiro. Sinto o cheiro da chuva enquanto o céu revesa entre escuro e claro pelos raios que não escuto. Observo tudo isso enquanto o guardinha na guarita tosse e eu me esforço para não acordar ninguém na casa.
É algo único para os sentidos.
Às vezes temos insônia para observar o belo, observar os lírios do campo. Doze horas mais tarde não terei estes minutos.
Tí uma vez me disse que escrevia demais e vivia de menos. Estava refletindo. Como a vida muda. Imaginei uma massinha escolar na mão de uma criança. Ela molda, desmolda, amassa, corta e gruda, e a massa nunca volta à forma original.
Graças à Deus!
Fui ao Teatro Mágico neste sábado em São Bernardo. Tanta pessoa pulando que achei que o shopping desmoronaria. "Nato, tirei minha música na mensagem do papelzinho distribuído. Presente para vc: Só enquanto eu respirar vou me lembrar de vc." Encontrei Camila pela segunda vez em um show do tipo. Garota louca de cabelos vermelhos na companhia de Jéssica, linda em seu chapéu redondo. Camila parecia uma pluma caindo levemente no chão. Saudades. Prometeu que próxima vez que nos reencontrarmos, me pintará com pancake para parecer um palhaço. É um desejo meu recente.
Logo após fui ver Carlinha, amiga de infância em sua igreja. Deus! Descobri que não encontro mais abrigo na Casa de Deus. A massinha está tão deformada que não entra mais na caixinha. Se não me habituo mais é porque faz parte da evolução e reclamar da ambiguidade seria o contrário de coexixtir. Cada um com sua indiosincrasia... Risadas de minha fã, Karim e balada quente na virada da noite. Hormônios evaporando e sexualidade aflorada. Se a lição de casa da célula era "aberta a temporada de caça" (rs), sorte para uns e azar para Nato com direito à tapa na cara. Talvez seja o contraste de ambiente para meu irmão mais belo que eu. Melhor sorte na próxima.
Volta com briga com os pais e despertar à tarde de domingo. "Show de Maria Rita" às 15h em Santo André. "Por que não?" Adoro programa de índio! Tomo banho enquanto Nato coloca algumas músicas da filha de Elis Regina para não cair de pára-quedas no show. "Não é que é bom?"
Muita gente, muita mesmo. Parecia o pátio da FAFIL (faculdade de sociologia, biologia, etc do campus que me formei). Pessoas bonitas com olhos lindos que não me cansaria de ficar "staring" estaticamente com aquela música de fundo enquanto Tata e Rinatu dançam na grama. A garoa termina com o transe.
Passeio com Pizza Hut no shopping ao lado, juntamente com livros e poltrona na Megastore. Rinatu me jogava alguma praga em uma língua estranha de um livro chamado "Orações do Candomblé" ou coisa do tipo enquanto viajava com Ghandi pelos olhos de Phillipy Yancey. Escuto uma garota passando na seção com a frase: "Não me leve a mal, mas não gosto de religião". Cada um tem seu tempo, pensava enquanto nos expulsavam para o fechamento. "Vamos no Alê?" "Não dá, Alê não atende." e reflexões de fim de domingo. Algo como "vc busca tanto algo que quando consegue, percebe que não mais necessitava".
Retorno para casa e mais brigas. Acho que sei o motivo da insônia. Sem sono, ligo o Brokeback Montain. Já disse que adoro lágrimas? Aceitaria facilmente lágrimas vindas De um mar para minha vida.
Quatro da manhã e estou aqui, sentado no sofá, observando a rua e refletindo sobre minha massinha com um caderno na mão. Lembrei que não meditei neste final de semana. No meu bolso tem uma mensagem do Teatro Mágico que guardei ao lado do dragão da sorte que Lígia me deu. Boa sorte no encontro Lí! Não sei o que quer dizer ainda, mas um dia vou entender. Tenho o meu tempo:
"Para dilatarmos a alma temos que nos desfazer Pra nos tornarmos imortais a gente tem que aprender a morrer com tudo aquilo que fomos e tudo aquilo que somos nós"
Transparente, Filipe
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q fds lindu!